um palco. actores que vão chegando para um ensaio de uma qualquer peça indefinida.

a descontracção natural de jovens despreocupados que vivem o teatro como rotina saudável. "desliguem os telemóveis, vamos começar o ensaio!". aos seus lugares. «
desculpe, mas estão aqui umas pessoas...", "mas eu agora estou a ensaiar".
e nas palavras de antonin artaud , "e eis que surge uma família em luto, com rostos esmaecidos e como que vindos de um sonho. são seis personagens que procuram autor e que tentam viver. querem ser mergulhados num drama. são mais reais do que tu, encenador, trapalhão imundo. são reais e provam-no...».
o teatro ontem foi bom. o elenco era, sem dúvida, de luxo:
joão perry, um homem de semblante pesado, vivido, em constante luta interior com o exterior;
sylvie rocha, perigosa, quente, desvairada, um papel fortíssimo e que me fez admirar um bocadinho mais esta actriz;
lia gama, uma mãe desgraçada pelas vicissitudes de uma vida sofrida, a perda dos filhos e do homem que pensava amar (passou por mim na baixa e entrou no metro... segui-a! mas perdi-a logo de vista quando entrei na linha verde...); não quero descurar os restantes actores, bastante talentosos por sinal, mas não reconheci maior parte deles. talvez pura ignorância minha, não sei.
o questionar constante do eu real ou fictício, se somos actores na nossa vida ou apenas personagens de um drama que não escolhemos, o desvendar minucioso, aos poucos, de todos os acontecimentos marcantes, tenso, muito tenso. faz-nos pensar. texto de
luigi pirandello, encenação de jorge silva melo. para ver no
teatro são luiz.